O presente trabalho investiga os episódios do Podcast Sozinha de Si, idealizado e produzido por Mayra Abbondanza, à luz das discussões sobre estar à escuta e das questão de gênero. Ao longo de menos de 10 meses (entre abril e outubro de 2024), 30 mulheres foram ouvidas para que suas histórias fossem contadas nesses episódios. Em sua maioria, essas mulheres não haviam partilhado tais situações que as dilaceraram em sua humanidade, forçadas a viver suas dores sozinhas e em silêncio. A escuta, mediada pelo celular e pela prática de ghostwriting, possibilitou perceber como, para a mulher, há uma sobrecarga no campo do cuidado, consigo e com aquelas e aqueles que as rodeiam. A veiculação dos episódios do podcast, como produto comunicacional, possibilitou a existência de uma rede que, pela história, fortalece a comunidade daquelas que viveram a pior face do patriarcado. O trabalho apresenta, ainda, alguns números relacionados a essas mulheres e como instituições se portaram diante das violações que viveram.