Resumen
Este artigo investiga a Inteligência Artificial Generalista à luz da filosofia da técnica de Gilbert Simondon, destacando a hipertelia como risco ético intrínseco à trajetória dos objetos técnicos contemporâneos. Mobilizando a distinção simondoniana entre objetos técnicos abstratos e concretos, a análise propõe que a IA deve ser compreendida não como instrumento neutro, mas como realidade em devir ontogenético, co-constituída em relação ao humano e ao mundo. As inteligências artificiais restritas, embora altamente especializadas e eficientes em domínios limitados, revelam sua impotência diante de contextos imprevistos, evidenciando um fechamento técnico que bloqueia processos mais amplos de individuação, mas também uma abertura maior às demandas externas, como as humanas. Já a Inteligência Artificial Generalista, ainda que permaneça, em grande parte, como horizonte virtual e especulativo, aparece como promessa de plasticidade e concretude maior, proporcionando uma integração interna mais sofisticada ao mesmo tempo que se fecha para necessidades externas. Os resultados apontam que a questão ética não reside apenas no progresso tecnológico em si, mas nos modos de individuação que podem favorecer ou inibir a concretização contínua dos seres técnicos em relação aos seres humanos e ao próprio planeta terra. Defende-se, assim, uma ética relacional e vigilante: relacional, ao reconhecer a coevolução entre humanos e máquinas; vigilante, ao resistir às tendências hipertélicas que conduzem à superespecialização estéril e à perda da potência criadora. A reflexão contribui para repensar o lugar do sujeito no meio técnico, indicando que a ética deve orientar a IA não para a hiperespecialização excludente, mas para a individuação aberta.

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