Abstract
Este artigo destaca concepções curriculares contra-hegemônicas aos modelos imperantes e aponta possíveis epistemologias que se contrapõem às matrizes do neoliberalismo. A pergunta central pode, assim, ser resumida: O que é ser contra-hegemônico, ou o que é o “outro” frente às epistemologias neoliberais, os valores da globalização financeira, a ética da produtividade e do consumo sem fim? Desta pergunta, surgem outras. Para respondê-las, o trajeto pelos currículos de quatro países do Mercosul – Paraguai, Uruguai, Argentina e Venezuela –, evidencia formas diferenciadas para que os estudantes possam conhecer, analisar as múltiplas culturas, diagnosticar a realidade dos territórios em que vivem para participar melhor deles. Os currículos investigados apontam, explicitamente, a intencionalidade na construção de uma identidade sul-americana, que apresenta uma combinação entre temáticas universais e abordagem regionalista. Analisa-se aqui o documento-proposta feito em reunião plenária do Conselho Nacional de Educação (CNE), que apresenta os fundamentos para a construção de uma base curricular transnacional para constituir os currículos para a educação pública dos países do Mercosul, buscando uma nova hegemonia para países de culturas, economias e territórios diferentes, mas aproximados pela colonização ibérica e pelos destinos políticos comuns da história recente.

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